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Secretária completa 20 anos de sindicato


No mercado de trabalho atual, é cada vez mais raro encontrar profissionais que se dedicam ao desempenho das suas funções dentro da mesma instituição durante um longo período de tempo. O SINDICONTAS-PE tem, porém, o privilégio de ser uma delas. No último domingo (2), Maria Valéria Barboza da Silva completou 20 anos exercendo a função de secretária do sindicato. Para homenagear suas duas décadas de dedicação ao SINDICONTAS-PE, segue, abaixo, uma entrevista em que ela comenta quais as principais mudanças ocorridas na entidade durante todos esses anos, o que aprendeu com cada um dos presidentes do sindicato e qual a receita para trabalhar no mesmo local durante tanto tempo. Quando você chegou ao SINDICONTAS-PE, a entidade ainda era uma associação e nem possuía esse nome. Como você conquistou esse emprego? Naquela época, eu era secretária de Milton Coelho, Frederico Barbosa e Tadeu Alencar, e Milton Coelho me propôs vir trabalhar com eles, já que a secretária da Associação dos Funcionários do Tribunal de Contas (AFTC) estava saindo. Lembro que ele me disse que era uma proposta meio indecente porque naquele mesmo ano haveria eleição e talvez eu não continuasse, mas achei a proposta boa, e estou aqui há vinte anos. Entrei em fevereiro de 1994 e a eleição foi em setembro daquele ano. Você trabalhou com vários presidentes do sindicato. Como se adaptar para lidar com diferentes personalidades? Poderia listar o que aprendeu com cada um deles? Bom, não foi uma experiência tão fácil, afinal cada pessoa tem seu ritmo de trabalho, suas manias e, como secretária, sempre tentei dar o meu melhor. Criei um perfil simples, porém muito profissional e talvez por isso não tenha encontrado dificuldades, mas posso dizer que aprendi bastante, e posso até enumerar alguns aprendizados. Com Milton Coelho, aprendi que a gente pode conquistar o espaço desejado. Já Geraldo Júlio, que era vice-presidente de Milton, me fez aprender organização: lembro como se fosse hoje, cheguei na AFTC, ele me deu a chave e disse: “tente se encontrar, qualquer coisa me liga no 7813” (era o ramal da DIAI). Francisco Gominho era sempre amável e me ensinou a ter mais iniciativa, me dando mais responsabilidades. Joana D’Arc Fernandes foi com quem convivi mais tempo, pois ficou na AFTC durante quase 10 anos, assumindo todos os cargos que lhe foram possíveis, aprendi muito da vida, aprendi a conhecer a essência dos nossos associados, a saber lidar com cada um deles e com suas diferenças. Com Valdemir Bezerra, foram tantos aprendizados, mas tem um que foi fundamental: mesmo que você não saiba como resolver o problema do associado, dê sempre uma esperança de solução, pois juntos acharemos o caminho. E assim, sempre conseguimos solucionar muitas coisas. Ganhei mais um grande amigo. Já Anderson Rosal abriu meus olhos para a importância de se trabalhar em parceria com ONGs e outros sindicatos. Aprendi muito também com José Ermival Siqueira: turrão como ele só, mas de um coração enorme, nunca mais nos separaremos, é o padrinho da minha filha. André Viana me ensinou que a tolerância é fundamental no ambiente de trabalho. Já Ricardo Souza é até hoje um grande amigo, aprendemos bastante juntos, dividíamos as dúvidas, aprendi a ser secretária no sentido amplo da palavra. Márcio Santana – compenetrado com seu trabalho e exigente com suas promessas sindicais — me mostra que não é preciso alarde para demonstrar sucesso. Entretanto, tem uma pessoa que não foi presidente, foi diretor administrativo quando ainda éramos AFTC, e não posso deixar de citá-lo: José Antônio Leite Gonçalves, grande pessoa, ensinou a nós todos funcionários a essência da união e da amizade. Que mudanças você observou no sindicato ao longo dessas duas décadas? Como você o via na década de 90 e como o enxerga atualmente? Quais as principais conquistas que você testemunhou? Observei e vivi grandes mudanças, conheci o computador e o fax... Lembro de Henrique Anselmo (auditor das contas públicas) dizendo: “Incrível, né? A gente põe o documento aqui e ele sai lá do outro lado” (risos). Éramos uma associação pequena, ainda pouco conhecida, que apenas oferecia alguns convênios aos associados. Aos poucos, fomos crescendo, enxergando a necessidade de oferecer mais, de representar melhor nossos associados, e assim, contratamos nossa primeira assessoria jurídica. Esta foi uma época de grandes conquistas, criamos um serviço odontológico, que funcionou até pouco tempo atrás. E continuamos crescendo tanto que vimos a necessidade de um espaço maior, e foi aí que compramos nossa sede e nos transformamos em sindicato, um sonho que se tornou realidade, acho que a nossa maior conquista. E assim podemos representar muito bem nossos sindicalizados, haja vista o número de ações impetradas. Hoje, depois de tantos anos, vejo que sempre há espaço para se crescer mais e mais, e por isso a nossa luta é contínua. Lembrando o slogan que Ricardo Souza trouxe para nós: “um mais um é sempre mais que dois”. E assim vamos adiante! Ao todo, são 240 meses trabalhando no mesmo local. Qual o segredo para se manter motivada desempenhando a mesma função durante tanto tempo? É simples: vestindo a camisa, amando o que faz, tornando seu local de trabalho parte de sua vida. Como nem tudo na vida da gente são flores, existiram sim momentos difíceis, porém os bons momentos foram em maior proporção. Quais as vantagens e desvantagens do secretariado? O lado positivo é que você fica mais próxima, mais amiga dos seus superiores, além de aprender a ter jogo de cintura para driblar as dificuldades. Já as desvantagens de ser secretária, não as vejo. Com relação às confraternizações promovidas pelo sindicato, alguma em especial ficou na memória? Por que motivo? Nossas festas sempre foram maravilhosas. Lembro bem de um carnaval, na época em que o presidente era Valdemir Bezerra, em que o nosso bloco De Olho Nas Contas saiu pelas ruas a partir do sindicato, nos juntamos aos colegas na sede do Sindifisco (Sindicato do Grupo Ocupacional Administração Tributária do Estado de Pernambuco) e fomos rumo ao Recife Antigo. Para mim, foi o nosso melhor carnaval. O que o sindicato representa na sua vida? O sindicato é a minha vida. Ou pelo menos, literalmente, a metade dela. Como resumir em poucas linhas essa experiência de trabalhar durante tanto tempo no sindicato? Para mim, estar aqui durante todos esses anos mostra que consegui me superar, conquistei meu espaço, e fiz muitos e grandes amigos. Gostaria de agradecer aos meus colaboradores desta jornada, minhas colegas de trabalho, as telefonistas, recepcionistas, copeiras, que tanto me ajudaram nas assembleias e eventos que realizamos dentro do TCE; eletricistas, encanadores, policiais, enfim, todos os funcionários terceirizados, pois sem eles minha caminhada não seria nada fácil. E a todos os meus diretores que me orientaram, me ensinaram e caminharam junto comigo em todos os momentos, profissionais e pessoais. Obrigada!

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